sábado, 5 de abril de 2008

Segundo a Kriz:


Quem não assiste ao seriado mais comentado do universo lésbico, “The L Word”? Atire a primeira pedra quem nunca assistiu um episódio sequer!
Assisti até a 4ª. temporada e devo confessar que classifico-o como regular e fantasioso. Que pecado cometi! Criticar “The L Word”. Que audácia! Como ousa? Mas entendam: esta é a minha opinião. Dentro da minha cabeça a série grita estereótipos, aliás como todo bom seriado americano, daí seu sucesso.

Senão vejamos alguns dos personagens principais:
Bette: a “dominadora”
Alice: a “descolada”
Shane: a “comedora”
Tina: a “dependente”
Jenny: a “confusa”
Helena: a “desmiolada”

A série, ela conseguiu criar vínculos com a comunidade lésbica. Cada garota identifica-se com um personagem.
Ela cumpre aquilo a que se propõe: diverte, faz chorar, rir, entretém. E é assim que a vejo. Nem mais, nem menos.
Se fosse realmente escolher um seriado gay convincente, escolheria “Queer as Folk”, onde os temas debatidos não terminam nos estereótipos dos personagens. Vão além.
“The L Word”, é uma série que considero regular. Mas ainda falta muito para que seja excelente, especialmente por parte do roteiro.
Tanto que é notável a instabilidade das temporadas. Umas são absurdamente chatas e outras nem tanto. O que acontece na TV americana? A TV americana funciona da seguinte maneira: quando um seriado decola, ele decola mesmo, e só vai ficando “chinfrim” em seu finalzinho de carreira. Vide “Arquivo X” e outros. Poucos são os que conseguem manter uma excelência em seus roteiros como “Seinfield”, “Sex and the City”, “Friends”, etc. A maioria naufraga.
“The L Word” já demonstrou estar perdendo um pouco de seu fôlego. Parece faltar assunto em alguns episódios, mas ainda assim continua cativando grande parte da audiência lésbica aqui e lá fora, simplesmente porque faltam programas sobre o assunto. Isso mesmo! Inexistem bons programas, livros e filmes dedicados ao público lésbico em comparação com o público gay.
Por outro lado, muitos afirmam que a série contribuiu para um fator muito importante chamado “visibilidade”. Mas o que é visibilidade? Quais as maneiras de tornar uma minoria visível quanto às suas necessidades e direitos?
O seriado tornou a comunidade lésbica “palatável”. Oras, quem se incomodaria com um bando de mulheres lindas e inteligentes ainda que lésbicas? “The L Word” deixa claro que: mulheres lésbicas são tão ou mais inteligentes, bonitas, elegantes, descoladas, agressivas e charmosas do que a grande maioria.
E aí entra a fantasia: somos seres humanos como outro qualquer. Eu, você, qualquer uma de nós, somos apenas mulheres de carne e osso. Não sou a oitava maravilha do mundo (quem me conhece sabe disso) e ser lésbica não determina aquilo que eu sou. Minha sexualidade é apenas uma dimensão da minha vida. Sou muito mais do que isso enquanto ser humano.
Ou seja, a visibilidade de uma minoria tem que espelhar a sua realidade. O mundo como ele é. A série joga um conceito “digerível” e de fácil apelo às grandes massas. Por que mostrar um “sapatão”? As famosas “caminhoneiras” e que são uma minoria dentro de uma minoria? Max (Moira) é muito bonitinho(a). É absolutamente digestivo(a) tanto para HT’s quanto para lésbicas.
Visibilidade é igual à realidade. O seriado deu visibilidade àquela parcela da comunidade lésbica que espelha alguns dos seus personagens. E só!
Méritos? Enquanto seriado, diverte e entretém. As atrizes são lindas e convincentes nos papéis (em especial Leisha Hailey). A produção é requintada. Contém ótimas cenas de sexo e nudez, além de ter sido a primeira série exclusivamente dedicada ao público lésbico. Mas, na minha modesta opinião, não é aquilo tudo que as pessoas apregoam. Nada do que coloquei aqui desmerece a série, mesmo porque acompanho a mesma, mas daí a dizer que ela é “o máximo”, seria no mínimo uma temeridade.
Enquanto isso fica a pergunta no ar: o que acontecerá a cada personagem? Conseguirá Shane se livrar das garras da insegurança e ser feliz? E Bette? Tina voltará a ser lésbica?
Enfim, para quem curte o seriado disponibilizo o link para que obtenham maiores informações e comunico que em breve lançarei uma coluna de filmes com temática lésbica
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http://www.sho.com/site/lword/home.do

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